Aquele que não pensa não pode ser convencido, mas também não pode ser livre. O pensamento nos torna vulneráveis à mentira porque nos permite acreditar; e nos torna capazes de vencê-la porque nos permite duvidar.
Brunna Melo
Direita, esquerda e centro organizam boa parte da maneira como a política moderna é compreendida. Governos são eleitos a partir desses rótulos, movimentos sociais se identificam com eles e milhões de pessoas constroem parte de sua identidade política pela oposição ao campo adversário. Em períodos de polarização, essa divisão atravessa relações familiares, ambientes profissionais e até escolhas de consumo.
Este artigo propõe olhar para essa disputa sob outra ótica: direita e esquerda podem representar conflitos políticos verdadeiros e, simultaneamente, operar dentro de estruturas econômicas e institucionais mais permanentes do que os governos que se alternam no poder.
Não é necessário imaginar um único “dono do mundo”. Redes de poder podem ser descentralizadas, possuir conflitos internos e reunir grupos com interesses diferentes. Bancos, corporações, fundos, proprietários, indústrias, plataformas e estruturas políticas podem competir em determinados momentos e cooperar quando seus interesses convergem.
É nesse sentido que a palavra “eles” será utilizada: não como referência a uma etnia, religião, nacionalidade ou sociedade secreta, mas aos grupos e indivíduos que lucram com determinada estrutura e possuem poder suficiente para influenciar sua continuidade. Eles não precisam ser sempre os mesmos nem conhecer toda a engrenagem.
A pergunta central, portanto, não é simplesmente se a direita ou a esquerda está correta. É outra: enquanto a população concentra sua atenção nessa disputa, quem continua acumulando propriedade, influência e capacidade de decisão independentemente do resultado eleitoral?

Imagem: obra Brasil, colônia de banqueiros (1934), de Gustavo Barroso.
Direita e esquerda: a origem dos rótulos
Direita e esquerda não nasceram significando capitalismo contra socialismo. Os termos surgiram durante a Revolução Francesa, quando a posição física dos representantes nas assembleias passou a simbolizar posições políticas. De maneira geral, defensores da monarquia e da ordem tradicional ficaram associados à direita; partidários de transformações revolucionárias, à esquerda.
Desde então, os conteúdos dessas palavras mudaram constantemente. Republicanismo, liberalismo, socialismo, comunismo, anarquismo, social-democracia e progressismo ocuparam diferentes regiões da esquerda; conservadorismo, liberalismo econômico, nacionalismo e democracia cristã apareceram em diferentes configurações da direita.
O centro também é relativo às forças dominantes de cada época. Quando consensos e extremos mudam, aquilo que é considerado moderado muda com eles.
Isso importa porque direita, esquerda e centro não são estruturas naturais e imutáveis. São categorias históricas utilizadas para organizar conflitos que também se transformam.
Então surge outra pergunta: se os rótulos mudam, o que permanece?
Partidos desaparecem, presidentes terminam mandatos e movimentos antes radicais tornam-se instituições. Grandes patrimônios, bancos, empresas, propriedades, estruturas burocráticas, redes comerciais e centros de influência, porém, podem atravessar gerações.
Uma grande corporação não precisa ser essencialmente “de direita” ou “de esquerda”. Pode negociar com governos conservadores e progressistas, adaptar sua comunicação e disputar regulamentações durante toda a alternância política.
A eleição continua importante. Mas talvez represente apenas uma camada do poder. A questão deixa de ser apenas quem ocupa o governo e passa a incluir quem possui estruturas que não precisam disputar eleições para permanecer influentes.
Teoria das elites: quem governa de fato?
A possibilidade de minorias organizadas acumularem poder desproporcional não pertence apenas ao campo das teorias conspiratórias. Sociologia e ciência política investigam há muito tempo a formação e a permanência das elites.
Vilfredo Pareto desenvolveu o conceito de circulação das elites: grupos dirigentes podem ser substituídos sem que a concentração do poder desapareça. Gaetano Mosca destacou a vantagem de uma minoria organizada diante de uma maioria numericamente superior, mas dispersa.
Robert Michels formulou a Lei de Ferro da Oligarquia ao observar que até organizações democráticas tendem a produzir dirigentes especializados, burocracias e hierarquias internas. Quanto maior a complexidade administrativa, maior a dependência de pequenos grupos capazes de controlá-la.
Em The Power Elite, C. Wright Mills analisou a proximidade entre indivíduos no topo das grandes corporações, estruturas militares e sistema político dos Estados Unidos. Sua tese não exigia uma organização secreta coordenando tudo, mas chamava atenção para pessoas ocupando posições capazes de produzir consequências muito superiores às disponíveis ao cidadão comum.
Pesquisas contemporâneas encontram fenômenos semelhantes. Um estudo publicado pela Cambridge University Press em julho de 2026 analisou os conselhos das 200 maiores empresas espanholas entre 1920 e 2020. A partir dos chamados interlocking directorates — conexões formadas quando dirigentes circulam entre empresas —, identificou pequenos núcleos estruturalmente centrais ao longo dos períodos analisados.
Isso não comprova a existência de um comando mundial único.
Mostra algo mais concreto: o poder econômico forma redes, e determinadas posições permitem conectar várias instituições simultaneamente.
Talvez a permanência das elites dependa menos das mesmas famílias ou indivíduos controlarem tudo durante séculos e mais da preservação dos lugares estratégicos pelos quais circulam capital, crédito, propriedade, informação e influência.
Os indivíduos mudam.
A arquitetura permanece.
Poder político: quem manda no Estado?
Presidentes concentram enorme atenção pública, mas não governam sozinhos.
No Brasil, o artigo 2º da Constituição estabelece como Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Existem ainda Ministério Público, tribunais de contas, agências reguladoras, governos estaduais e municipais, burocracias e órgãos de fiscalização.
Essa distribuição limita a concentração de autoridade. Mas também produz uma pergunta relevante para esta investigação: se alguém desejasse exercer influência estrutural sobre um país, controlar apenas o presidente seria suficiente?
Provavelmente não.
Interesses duradouros teriam mais a ganhar estabelecendo relações em diferentes pontos: partidos, Congresso, burocracias, empresas, comunicação, financiamento, universidades, organizações civis, consultorias e agências.
Isso ajuda a explicar por que trocar o chefe do Executivo não substitui toda a orientação de um Estado. Presidentes permanecem quatro ou oito anos; carreiras burocráticas atravessam décadas. Empresas, tratados, contratos, dívidas e compromissos institucionais não desaparecem na noite de uma eleição.
Um presidente pode possuir enorme poder e ainda operar dentro de limites que não criou.
A própria ascensão à alta política exige recursos, alianças, partidos, exposição, comunicação e financiamento. O processo pode funcionar, portanto, como um filtro de acesso: o cidadão escolhe entre candidatos, mas antes da eleição já ocorreu uma seleção informal de quem conseguiu adquirir estrutura suficiente para chegar ao cardápio eleitoral.
Isso não transforma todo candidato em “marionete”. A hipótese é mais simples: quanto mais alto alguém sobe, maior pode ser a quantidade de estruturas das quais depende.
O mesmo vale para grandes líderes históricos. Hitler permanece responsável pelo regime nazista e por seus crimes, mas isso não elimina perguntas estruturais: quais setores colaboraram com sua ascensão? Quem acumulou patrimônio durante o regime? Quais instituições sobreviveram? Quem obteve vantagens na reorganização posterior à guerra?
Processos históricos dessa escala raramente cabem na biografia de um único homem.
Por isso, à pergunta “quem governa?” talvez seja necessário acrescentar: “quem continua poderoso quando o governante vai embora?”
Educação obrigatória: formar ou domesticar?
Se estruturas políticas e econômicas atravessam gerações, importa observar como essas gerações são formadas. A escola moderna ampliou alfabetização, conhecimento científico e mobilidade social. Isso não impede que sua função política também seja examinada.
O sistema de educação obrigatória não foi inventado por uma única pessoa. Sua genealogia atravessa instituições religiosas, monarquias, industrialização e formação dos Estados modernos. A experiência prussiana é uma referência importante.
Em 1763, Frederico II publicou o General-Land-Schul-Reglement, ampliando a organização pública da educação. Além da instrução, o documento mencionava formação cristã, moral e preparação de súditos considerados mais esclarecidos e virtuosos.
A escola, portanto, não transmite apenas informações. Ela participa da formação social.
Ensina língua, história nacional, símbolos, horários, disciplina e referências sobre cidadania. Como nenhum currículo consegue conter toda a experiência humana, selecionar é inevitável — e toda seleção produz consequências.
A colonização brasileira oferece um exemplo. Relações de escambo realmente existiram, mas quando essa imagem domina a narrativa pode obscurecer escravização indígena, conflitos, epidemias, catequização, ocupação territorial e resistência.
Uma narrativa não precisa ser falsa para produzir uma compreensão incompleta.
Depois de mais de uma década de educação formal, uma pessoa pode dominar português, matemática e ciências e ainda conhecer pouco sobre funcionamento bancário, dívida pública, concentração empresarial, lobby, propaganda ou mercados financeiros.
Existe uma diferença entre preparar alguém para funcionar dentro de uma sociedade e prepará-lo para compreender criticamente sua arquitetura.
A educação pode emancipar e socializar simultaneamente. Oferece ferramentas para ampliar a consciência, mas também participa da construção das categorias utilizadas para interpretar o mundo.
E mesmo quem possui ferramentas para questionar precisa de outro recurso para utilizá-las:
tempo.
Precariedade social: tempo como poder
Informação pode estar disponível, mas compreendê-la exige tempo. Uma sociedade pode oferecer notícias, documentos, livros e pesquisas e, ainda assim, produzir cidadãos sem condições práticas de investigar aquilo que organiza suas vidas.
A precariedade, nesse sentido, também funciona como ocupação da consciência. Trabalho, transporte, contas, burocracias e emergências domésticas disputam o tempo que poderia ser usado para estudar, organizar-se politicamente ou simplesmente refletir.
O debate brasileiro sobre a escala 6×1 evidencia essa disputa. Em maio de 2026, a Câmara dos Deputados aprovou em dois turnos uma proposta de redução da jornada máxima para 40 horas semanais em cinco dias, sem redução salarial. Em agosto, a matéria recebeu relatório favorável na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas ainda não havia concluído sua tramitação.
Além de produtividade, custos e direitos trabalhistas, existe outra dimensão: quem controla o tempo disponível influencia aquilo que uma pessoa consegue fazer da própria vida.
Uma hora de trabalho também é uma hora que não será usada para estudar, acompanhar uma votação, compreender uma dívida, produzir arte ou conviver com os filhos.
Não é necessário supor que jornadas extensas tenham sido criadas para impedir consciência política. Basta reconhecer que a distribuição do tempo produz consequências políticas.
Para quem vive sem reservas financeiras, o problema se intensifica. Uma doença, atraso salarial, separação ou dificuldade de moradia pode reorganizar toda a rotina.
A precariedade mantém a atenção voltada para o próximo problema.
Não é preciso esconder a estrutura de poder de alguém que precisa primeiro descobrir como pagará a conta de amanhã.
Autonomia corporal: quando a vida é ocupada
O controle sobre o próprio corpo também determina quanto tempo e quantas escolhas uma pessoa terá nos anos seguintes. Por isso, reprodução envolve consequências econômicas, educacionais e políticas.
No Brasil, a interrupção gestacional é prevista legalmente em situações específicas, incluindo gravidez decorrente de violência sexual e risco à vida da gestante; a anencefalia fetal também é contemplada por decisão do Supremo Tribunal Federal.
Quando a gestação envolve menores de 14 anos, existe ainda outro elemento: a legislação brasileira considera a relação sexual nessa faixa etária estupro de vulnerável, independentemente de alegações de consentimento.
Para esta investigação, interessa observar o efeito concreto de obrigar ou pressionar alguém a prosseguir com uma gestação indesejada. Gravidez, parto e cuidado podem alterar estudo, renda, trabalho, mobilidade e planejamento por anos.
A distribuição desse cuidado também é desigual. Dados do IBGE indicam que, em 2022, mulheres brasileiras dedicavam em média 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados, contra 11,7 horas entre os homens.
A autonomia reprodutiva, portanto, também é uma questão de tempo:
Gestação → cuidado → dependência financeira → menor mobilidade → menor disponibilidade de tempo.
Não é necessário afirmar que políticas restritivas foram criadas especificamente para manter mulheres ocupadas. Mas restringir essas escolhas significa também disputar quem possui autoridade para decidir o destino do corpo e do tempo de outra pessoa.
Quando pobreza ou violência doméstica já existem, uma maternidade imposta pode aumentar a dependência justamente do ambiente do qual seria necessário conseguir sair.
Autonomia corporal não está separada da autonomia política.
É uma de suas condições materiais.
Sofrimento social: sobreviver ocupa a consciência
Existe diferença entre conhecer intelectualmente uma estrutura e conseguir enxergá-la enquanto se tenta sobreviver dentro dela.
Violência doméstica pode envolver agressão física, controle financeiro, ameaças, humilhação, isolamento, coerção sexual, vigilância e violência psicológica. A Organização Mundial da Saúde estima que quase uma em cada três mulheres já sofreu violência física ou sexual por parceiro ou violência sexual praticada por outra pessoa ao longo da vida.
Quem vive antecipando conflitos pode gastar grande parte da própria capacidade mental tentando evitar o próximo episódio. Dinheiro, filhos, medo, culpa e necessidade de estabilidade ocupam o campo de visão.
Às vezes, a pessoa demora anos para compreender a estrutura da violência porque está ocupada sobrevivendo às suas manifestações.
A mesma lógica pode ser observada socialmente.
Pobreza, endividamento, desemprego, insegurança e conflitos familiares não produzem apenas sofrimento. Produzem urgência.
Daí surge uma analogia: assim como alguém pode permanecer ocupado demais administrando uma relação abusiva para perceber toda a engrenagem da violência, uma população pode permanecer ocupada administrando problemas sociais sem investigar as estruturas que contribuem para perpetuá-los.
A individualização da culpa reforça esse processo.
Quem está exausto recebe conselhos de produtividade. Quem está endividado deveria ter administrado melhor o dinheiro. Quem permaneceu numa relação violenta ainda pode ouvir que deveria ter saído antes.
O problema estrutural reaparece como falha individual.
Uma população submetida a crises permanentes não precisa acreditar que tudo funciona perfeitamente. Pode saber que algo está errado e ainda assim não possuir segurança, tempo ou energia para transformar percepção em organização.
A distração, nesse caso, não é um programa de entretenimento.
É a própria urgência.
Enquanto a pessoa sofre, reage, trabalha e tenta recuperar-se, decisões sobre propriedade, dívida, contratos e concentração econômica continuam acontecendo.
Polarização social: conflito horizontal
Mesmo sem tempo para compreender toda a estrutura, uma população reconhece que existem problemas. Salários insuficientes, violência, moradia cara, insegurança e medo do futuro produzem insatisfação real.
A questão é para onde ela será direcionada.
Direita contra esquerda, homens contra mulheres, feminismo contra red pill, religiosos contra ateus, progressistas contra conservadores: esses conflitos podem partir de problemas verdadeiros. Uma tensão não precisa ser inventada para ser politicamente útil. Basta que seja amplificada até se tornar o principal campo de batalha.
A teoria do agenda-setting demonstra que a comunicação influencia quais assuntos o público percebe como prioritários. No ambiente digital, pesquisas também encontraram relações entre redes sociais, indignação, polarização política e maior toxicidade entre grupos adversários.
Sob esta hipótese, ocorre uma transformação importante: sofrimento vertical torna-se conflito horizontal.
Duas pessoas podem enfrentar dívida, excesso de trabalho, insegurança e serviços públicos insuficientes e terminar convencidas de que a principal origem de seus problemas está uma na outra.
Até discussões aparentemente distantes merecem atenção. No Brasil, menores de 18 anos são penalmente inimputáveis, enquanto atos sexuais com menores de 14 anos possuem proteção penal específica. São questões juridicamente distintas.
Reduzir a maioridade penal, portanto, não reduziria automaticamente a proteção sexual. A pergunta é cultural: quando adolescentes passam a ser tratados discursivamente como adultos para determinadas punições, isso pode alterar a percepção social de sua vulnerabilidade em outros contextos?
A hipótese não é jurídica, mas discursiva. Se a sociedade alterna entre “é uma criança” e “já sabia o que estava fazendo” conforme o debate, vale observar quais fronteiras de proteção podem ser relativizadas.
Em todos esses conflitos, permanece a pergunta:
quem ganha quando grupos submetidos a pressões semelhantes concentram sua energia uns nos outros?
Crime organizado: quem aparece e quem lucra?
Poucas coisas capturam tanta atenção quanto o crime visível. Assaltos possuem agressor e vítima identificáveis. Facções possuem armas, território e líderes. Esses problemas são reais.
Mas visibilidade não é sinônimo de impacto econômico.
Crime organizado pode conectar tráfico, contrabando, extorsão, corrupção e lavagem de dinheiro. A UNODC destaca que a corrupção permite a organizações criminosas obter proteção contra fiscalização e repressão estatal. Quando isso acontece, a fronteira entre crime e instituição se torna menos confortável: uma organização suficientemente rica pode deixar de apenas fugir do Estado e começar a comprar acesso a partes dele.
A lavagem de dinheiro constitui outra ponte. Recursos de narcotráfico, corrupção, tráfico humano ou fraudes podem atravessar instituições financeiras, comércio, imóveis e intermediários até reaparecer com aparência legítima.
É aí que a diferença de visibilidade importa.
O criminoso armado pode ser fotografado e preso. Fraudes corporativas, corrupção, holdings, contratos e fluxos financeiros exigem conhecimento técnico. O conceito de crime de colarinho branco inclui práticas capazes de produzir perdas bilionárias sem gerar a imagem imediatamente associada à violência.
A criminologia também estuda o pânico moral, associado a Stanley Cohen: processos pelos quais determinados problemas são amplificados até se tornarem ameaças centrais na percepção coletiva.
Uma sociedade pode, portanto, concentrar enorme atenção no crime praticado de maneira visível enquanto criminalidade econômica e institucional permanece abstrata e distante.
Isso não torna traficantes, milicianos ou estelionatários irrelevantes.
A pergunta é até onde suas redes chegam.
- Quem fornece?
- Quem protege?
- Quem lava?
- Quem legaliza o patrimônio?
- Quem possui acesso institucional?
- E, sobretudo, quem consegue lucrar com o crime sem precisar aparecer como criminoso?
Economia do caos: quem fica com a conta?
A última camada desta hipótese exige uma distinção fundamental: lucrar com um problema não significa necessariamente tê-lo provocado. Uma funerária não causa mortes porque depende delas economicamente, assim como um hospital não produz doenças simplesmente porque recebe para tratá-las.
O problema estrutural aparece quando determinadas crises se tornam mercados permanentes e os agentes economicamente beneficiados passam a possuir poucos incentivos para que suas causas desapareçam.
Violência movimenta segurança, seguros, equipamentos, mídia, advocacia e estruturas penitenciárias. Doença movimenta medicamentos, hospitais, planos e tratamentos. Dívida produz juros, renegociação, cobrança e serviços financeiros. Guerra movimenta armamentos, logística, inteligência, crédito e posteriormente reconstrução. O sofrimento de alguém pode aparecer como receita legítima na contabilidade de outra instituição sem que exista necessariamente uma conspiração entre elas.
A indústria cultural ocupa outra posição nessa engrenagem. Cinema, música, esporte, publicidade, influenciadores, jornalismo e plataformas digitais disputam um recurso limitado: atenção. A teoria do agenda-setting mostra que a frequência e a relevância atribuídas a determinados assuntos ajudam a determinar aquilo que o público percebe como importante. Pesquisas sobre a formação da agenda midiática também mostram que essa seleção resulta de fontes influentes, práticas jornalísticas, interesses das audiências, outros meios de comunicação e acontecimentos externos — não de um único comando central.
Isso combina perfeitamente com a hipótese de uma rede descentralizada. Não seria necessário controlar cada jornalista, artista ou atleta. Bastaria que determinados gargalos de financiamento, distribuição e visibilidade permanecessem altamente concentrados. Quem depende de patrocinadores, plataformas, empresários, contratos e grandes canais aprende, com o tempo, quais comportamentos ampliam acesso e quais podem reduzi-lo.
A mesma lógica pode ser aplicada à responsabilidade ambiental. O discurso cotidiano frequentemente enfatiza escolhas individuais como consumo, lixo e hábitos domésticos. Essas escolhas importam, mas o IPCC estima que os 10% dos domicílios com maiores emissões per capita respondem por aproximadamente 34% a 45% das emissões globais domésticas baseadas em consumo, enquanto os 50% inferiores respondem por cerca de 13% a 15%.
Quando responsabilidades profundamente desiguais são apresentadas como se fossem igualmente individuais, a culpa também pode ser distribuída de maneira conveniente.
Chegamos, então, ao que poderia ser chamado de caos administrável.
Uma sociedade completamente destruída é pouco produtiva. Mortos não trabalham, economias colapsadas não sustentam mercados e populações sem absolutamente nada a perder tornam-se imprevisíveis. Para quem lucra com a continuidade da estrutura, talvez seja mais funcional um estado intermediário: insegurança suficiente para produzir medo, dívida suficiente para produzir dependência, consumo suficiente para movimentar a economia, entretenimento suficiente para oferecer alívio e polarização suficiente para dificultar a construção de interesses comuns.
Não seria necessário fabricar cada acidente, relacionamento abusivo, crime ou crise.
Bastaria que problemas persistentes fossem mais lucrativos administrados do que resolvidos.
Quanto custa administrar problemas que nunca terminam?
No papel, esquerda e direita representam propostas diferentes. A esquerda tende a defender redução das desigualdades, proteção social, serviços públicos e maior intervenção do Estado para proteger quem está em posição mais vulnerável. A direita tende a priorizar propriedade privada, liberdade econômica, responsabilidade individual, segurança, mercado e menor interferência estatal na economia.
As duas podem parecer coerentes no papel. O problema aparece quando se observa a prática brasileira. Depois de décadas, a população continua discutindo esquerda contra direita, Lula contra Bolsonaro, enquanto problemas muito anteriores a esses personagens atravessam governos sucessivos: educação insuficiente, hospitais sobrecarregados, falta de saneamento, violência, desigualdade, moradia precária, endividamento e expansão do crime organizado.
Nesse ponto, já não é suficiente responder simplesmente que governar é difícil. Estamos falando de décadas de continuidade institucional + enorme capacidade técnica + bilhões de reais + dados detalhados + estruturas municipais, estaduais e federais + milhares de autoridades encarregadas de legislar, executar e fiscalizar.
A complexidade do Brasil, seu tamanho territorial, a divisão entre União, estados e municípios e as divergências políticas dificultam qualquer transformação. Mas, quando um problema permanece durante 20, 30 ou 40 anos, atravessa governos de diferentes orientações, possui diagnóstico conhecido, orçamento recorrente, profissionais especializados e instituições dedicadas a ele, a explicação precisa ir além da dificuldade administrativa.
Nesse ponto, “falta de gente” não é uma explicação convincente para os problemas estruturais brasileiros. É necessário perguntar também como os recursos são distribuídos, quais grupos conseguem influenciar prioridades, quais interesses seriam prejudicados por determinadas reformas e por que algumas políticas sobrevivem durante décadas enquanto outras encontram dinheiro, articulação e capacidade administrativa em poucos meses.
Isso não significa que todos os problemas tenham sido criados deliberadamente para permanecer. Significa que existe uma diferença importante entre resolver um problema e construir uma estrutura permanente para administrá-lo. Violência produz orçamento de segurança; pobreza produz programas sociais; educação ruim produz novos projetos educacionais; crime organizado produz operações, estruturas investigativas e discursos eleitorais; eleições movimentam bilhões em financiamento.
Essas estruturas podem ser necessárias. O problema surge quando a existência continuada da estrutura deixa de ser acompanhada por uma redução proporcional daquilo que justificou sua criação. O Estado passa a demonstrar enorme capacidade para medir, financiar, regulamentar e administrar determinada carência, enquanto a transformação estrutural continua sempre projetada para algum momento futuro.
Bolsa Família pode colocar comida dentro de uma casa, o SUS pode salvar uma vida e uma universidade pública pode alterar completamente a trajetória de uma família. Nada disso é irrelevante. Mas diminuir sofrimento não significa necessariamente eliminar as estruturas que reproduzem permanentemente a necessidade daquele auxílio.
É possível administrar pobreza durante décadas sem reduzir na mesma velocidade a desigualdade patrimonial. É possível prender milhares de criminosos sem desmontar as estruturas financeiras, empresariais e institucionais utilizadas pelo crime organizado. É possível ampliar investimentos em educação enquanto grande parte dos estudantes continua chegando ao fim da escola sem domínio adequado de leitura e matemática.
Essa deficiência educacional ainda produz outro efeito político. Uma população com pouca formação para interpretar orçamento, políticas públicas e funcionamento institucional fica mais vulnerável a avaliar governos por identidade, carisma e antagonismo. A pergunta deixa de ser quanto determinado agente recebeu, quanto gastou, qual meta prometeu e qual resultado entregou, e passa a ser simplesmente: “você é de qual lado?”
Enquanto milhões de pessoas brigam horizontalmente, grupos muito menores conseguem agir de maneira coordenada. Partidos, bancos, grandes empresas, setores econômicos, associações e organizações criminosas não precisam representar a maioria da sociedade. Precisam possuir objetivos definidos, dinheiro, informação, acesso, capacidade jurídica, organização e influência suficiente para defender seus interesses continuamente.
Depois de quase quatro décadas da Constituição de 1988, talvez a principal pergunta não seja apenas quem deveria governar, mas o que uma estrutura estatal desse tamanho conseguiu entregar em proporção ao dinheiro, ao pessoal, ao conhecimento e ao tempo colocados à sua disposição.
Quanto custa realmente essa estrutura?
Não existe uma folha nacional que reúna, em uma única base, todos os políticos, magistrados, cargos exclusivamente comissionados e funções de confiança das três esferas. A partir das quantidades disponíveis e de remunerações médias ou representativas, a remuneração-base dessa camada pode ser estimada em aproximadamente R$ 87 bilhões por ano, considerando doze pagamentos mensais e evitando duplicidades.
Quando entram 13º salário onde aplicável, férias, encargos patronais, benefícios, indenizações e outras despesas diretamente associadas ao pessoal, uma faixa de R$ 110 bilhões a R$ 130 bilhões anuais torna-se uma referência razoável para dimensionamento. Isso ainda não representa o custo integral das instituições: prédios, assessorias, gabinetes, veículos, segurança, tecnologia, viagens e contratos ficam de fora.
Para comparação, o Bolsa Família transferiu R$ 159,5 bilhões em 2025. O auxílio-reclusão, que não é pago ao preso, mas aos dependentes do segurado de baixa renda que preenchia os requisitos previdenciários, custou cerca de R$ 442,9 milhões em 2024. São escalas completamente diferentes: o primeiro está na casa das centenas de bilhões; o segundo, abaixo de meio bilhão.
Se fosse criado hipoteticamente um benefício de R$ 3.500 mensais por família, pago ao responsável familiar — preferencialmente à mulher, como já ocorre no Bolsa Família — cada família receberia R$ 42 mil por ano. Mantendo as atuais aproximadamente 19,3 milhões de famílias beneficiárias, o custo chegaria a cerca de R$ 810 bilhões anuais.
Os R$ 120 bilhões usados como referência ampliada para a estrutura de direção e confiança não financiariam esse programa inteiro, mas equivaleriam a R$ 3.500 mensais para aproximadamente 2,86 milhões de famílias durante um ano. Se os mesmos R$ 120 bilhões fossem divididos entre todas as 19,3 milhões de famílias atuais, representariam aproximadamente R$ 518 adicionais por família todos os meses.
Crianças e adolescentes ocupam posição central no desenho do Bolsa Família, especialmente pelas condicionalidades de frequência escolar, vacinação e acompanhamento de saúde, mas a presença de crianças não é a única condição de entrada no programa. A elegibilidade depende principalmente da renda e do Cadastro Único, enquanto as condicionalidades educacionais e de saúde precisam ser cumpridas pelas famílias às quais se aplicam.
Quanto recebem os principais cargos da estrutura pública brasileira?
| Categoria | Quantidade aproximada | Remuneração mensal usada na estimativa | Base anual por pessoa | Custo anual aproximado do grupo |
|---|---|---|---|---|
| Presidente da República | 1 | R$ 46.366 | R$ 556 mil | R$ 556 mil |
| Vice-presidente | 1 | R$ 46.366 | R$ 556 mil | R$ 556 mil |
| Ministros de Estado | ~38 | R$ 46.366 | R$ 556 mil | R$ 21,1 milhões |
| Senadores | 81 | R$ 46.366 | R$ 556 mil | R$ 45,1 milhões |
| Deputados federais | 513 | R$ 46.366 | R$ 556 mil | R$ 285,4 milhões |
| Deputados estaduais e distritais | 1.059 | ~R$ 34.775 | ~R$ 417 mil | R$ 441,9 milhões |
| Governadores | 27 | ~R$ 33.600 | ~R$ 403 mil | R$ 10,9 milhões |
| Vice-governadores | 27 | ~R$ 28.000 | ~R$ 336 mil | R$ 9,1 milhões |
| Prefeitos | 5.569 | ~R$ 16.000 | ~R$ 192 mil | R$ 1,07 bilhão |
| Vice-prefeitos | 5.569 | ~R$ 9.000 | ~R$ 108 mil | R$ 601 milhões |
| Vereadores | 58.444 | ~R$ 7.500 | ~R$ 90 mil | R$ 5,26 bilhões |
| Ministros do STF | 11 | R$ 46.366 | R$ 556 mil | R$ 6,1 milhões |
| Ministros do STJ | 33 | ~R$ 44.048 | ~R$ 529 mil | incluído na magistratura abaixo |
| Magistrados submetidos ao CNJ | ~19,1 mil | ~R$ 41.000 de subsídio-base médio estimado | ~R$ 492 mil | ~R$ 9,4 bilhões |
| Somente comissionados municipais | ~714 mil | ~R$ 6.000 | ~R$ 72 mil | ~R$ 51,4 bilhões |
| Somente comissionados estaduais | ~131,5 mil | ~R$ 8.500 | ~R$ 102 mil | ~R$ 13,4 bilhões |
| Cargos, funções e gratificações de confiança federais | ~95 mil posições | ~R$ 4.500 | ~R$ 54 mil | ~R$ 5,1 bilhões |
Total estimado de remuneração-base anual: aproximadamente R$ 87 bilhões.
Estimativa ampliada com encargos, adicionais e custos diretos de pessoal: aproximadamente R$ 110 bilhões a R$ 130 bilhões por ano.
Os valores de presidente, vice-presidente, ministros, deputados federais, senadores e ministros do STF são definidos nacionalmente. Governadores apresentam diferenças importantes entre estados; em 2026, seus subsídios estão aproximadamente entre R$ 22 mil e R$ 46 mil, e a média dos 27 valores fica próxima de R$ 33,6 mil mensais.
Nos municípios a variação é ainda maior. Prefeitos de grandes capitais podem superar R$ 30 mil ou R$ 40 mil mensais, enquanto municípios pequenos possuem valores muito menores, embora existam cidades pequenas pagando mais de R$ 20 mil. Por isso, os R$ 16 mil para prefeito, R$ 9 mil para vice e R$ 7,5 mil para vereador devem ser lidos como estimativas nacionais conservadoras de ordem de grandeza, não como médias oficiais.
O mesmo cuidado vale para cargos comissionados. Um assessor municipal de uma cidade pequena e um dirigente de alto escalão estadual podem possuir remunerações completamente diferentes. Os valores apresentados servem para dimensionar financeiramente centenas de milhares de vínculos, e não para afirmar que cada ocupante recebe exatamente aquela quantia.
Além disso, parte das aproximadamente 95 mil funções e gratificações federais é ocupada por servidores efetivos. Nesses casos, o valor considerado representa principalmente a remuneração relacionada à função de confiança, e não necessariamente todo o salário daquele servidor. Portanto, essa linha não pode ser interpretada como 95 mil pessoas externas contratadas politicamente.
Somente os cargos eletivos representam aproximadamente 71 mil mandatos simultâneos. Quando são acrescentados magistrados, cargos exclusivamente comissionados e funções de confiança, a dimensão analisada chega perto ou ultrapassa 1 milhão de posições e vínculos ligados à representação, direção, julgamento ou confiança administrativa.
Isso não significa que seja possível eliminar essa estrutura e distribuir seu orçamento. Executivo, Legislativo, Judiciário, equipes técnicas e funções de direção são necessários para o funcionamento de qualquer Estado moderno. A comparação serve para outra finalidade: dimensionar a quantidade de dinheiro, pessoas e capacidade institucional que já existem para administrar a sociedade.
Uma estrutura desse tamanho, sustentada continuamente durante décadas, precisa produzir resultados compatíveis com o investimento realizado nela. Depois de tanto dinheiro, tanta gente, tantos dados e tanto tempo, cobrar que direitos básicos deixem de ser promessas futuras não significa exigir um Estado perfeito.
Significa fazer uma pergunta elementar:
se o Estado possui estrutura suficiente para administrar os mesmos problemas durante décadas, por que não consegue utilizar essa mesma capacidade para reduzir drasticamente a necessidade de continuar administrando-os?
O Brasil arrecada mais de R$ 4 trilhões por ano somando União, estados e municípios. Um benefício de R$ 3.500 mensais para as famílias do Bolsa Família exigiria aproximadamente R$ 810 bilhões anuais, dos quais cerca de R$ 160 bilhões já correspondem ao programa atual. Chegar a esse valor exigiria combinar revisão de benefícios fiscais, redução de privilégios, enxugamento de cargos e penduricalhos, tributação mais progressiva e crescimento econômico.
Não é uma conta simples, mas também não é uma impossibilidade matemática. A questão central é outra: entre os mais de R$ 4 trilhões que a sociedade entrega anualmente ao Estado, quais prioridades justificam receber o dinheiro antes de garantir uma renda mínima capaz de dar alimentação, moradia e estabilidade às famílias responsáveis por crianças?
“Nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder.” Rousseff, Dilma.
A hipótese desenvolvida ao longo desta análise não depende da existência de um único grupo sentado ao redor de uma mesa decidindo cada acontecimento mundial. Essa imagem talvez seja simples demais para explicar estruturas de poder capazes de atravessar governos, gerações e fronteiras.
Uma rede pode funcionar porque diferentes agentes possuem interesses convergentes. Alguns sabem apenas o necessário para desempenhar suas funções. Outros controlam posições estratégicas. Muitos sequer precisam considerar-se integrantes de qualquer sistema. Se bancos, grandes empresas, estruturas políticas, proprietários, indústrias, plataformas, organizações e operadores financeiros encontram vantagens na preservação de determinados mecanismos, a coordenação completa pode ser menos necessária do que parece.
Nesse cenário, direita e esquerda continuam existindo. Suas diferenças podem alterar direitos, impostos, políticas sociais e a vida concreta de milhões de pessoas. A hipótese apresentada aqui não exige que toda política seja teatro. Ela pergunta se o espetáculo visível da disputa pode esconder uma estrutura mais estável, capaz de continuar lucrando sob diferentes governos.
A mesma lógica atravessa os demais temas analisados. A escola pode educar e simultaneamente formar determinada compreensão do mundo. O trabalho pode produzir riqueza e simultaneamente consumir o tempo necessário para questioná-lo. A maternidade pode ser desejada e transformadora, enquanto a maternidade imposta pode reduzir autonomia durante anos. A violência doméstica pode ocupar completamente a consciência de quem tenta sobreviver a ela. A polarização pode transformar sofrimento compartilhado em hostilidade entre grupos. O crime mais visível pode monopolizar a atenção enquanto operações financeiras maiores permanecem distantes da compreensão pública.
Talvez, portanto, a principal forma de distração social não seja fazer uma população olhar para algo falso.
Pode ser muito mais eficiente mantê-la ocupada com problemas absolutamente reais.
Trabalho, contas, violência, doença, medo, escândalos, eleições, conflitos familiares, guerras culturais e entretenimento podem preencher praticamente toda a experiência cotidiana. Enquanto as pessoas administram essas consequências, propriedade, contratos, dívida, patrimônio e influência continuam circulando.
A pergunta final não precisa ser “quem controla o mundo?”.
Talvez perguntas menores revelem muito mais:
Quem financiou? Quem recebeu? Quem protegeu? Quem comprou o ativo depois da crise? Quem permaneceu poderoso quando o governo mudou? Quem transformou o problema em mercado?
E, principalmente:
quando tudo termina, quem fica com o patrimônio — e quem fica com a conta?
Se esta análise fez você olhar para política, poder e conflito por outro ângulo, continue a investigação no Universos da Bru.
Leia também:
Referências
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Brunna Melo — Estratégia com alma, palavra com presença
Brunna Melo é estrategista de conteúdo, revisora, copywriter e guardiã de narrativas que curam. Atuou por uma década na educação pública, onde aprendeu, na prática, que toda comunicação começa com escuta. Sua trajetória une técnica e intuição, método e magia, estrutura e sensibilidade.
Formada em Relações Internacionais, mas também com formação técnica em Recursos Humanos e Secretariado, Brunna carrega ainda em seu percurso a pós-graduação em Diplomacia e Políticas Públicas e cursa a licenciatura em Psicopedagogia. Dos 16 aos 26 anos trabalhou na rede pública de Itapevi, onde desenvolveu um olhar atento às subjetividades, à inclusão e à palavra como ferramenta de transformação. Em 2019, realizou intercâmbio em Montreal, no Canadá, onde consolidou sua fluência em francês, inglês e espanhol, ampliando sua visão multicultural e espiritual.
Hoje, Brunna integra SEO técnico, copywriting consciente e comunicação simbólica para marcas e pessoas que desejam crescer com base, respeitando o tempo de quem lê e a verdade de quem escreve. Atua em projetos nacionais e internacionais com foco em posicionamento estratégico, revisão acadêmica, produção de conteúdo e construção de autoridade orgânica com profundidade e coerência.
Mas sua atuação vai além da técnica. Brunna é bruxa de alma antiga, com forte ligação à ancestralidade, aos ciclos e à linguagem como portal. Sua escrita é ritualística, sua presença é intuitiva e seu trabalho parte do princípio de que comunicar é também cuidar — é criar campos de confiança, abrir espaço para o sagrado e firmar digitalmente o que o corpo muitas vezes não sabe nomear.
Mãe, mulher neurodivergente, educadora e artista, Brunna transforma vivências em matéria-prima para narrativas com sentido. Seus textos não são apenas bonitos — são precisos, respeitosos, vivos. Acredita que conteúdo de verdade não serve só para engajar, mas para construir pontes, evocar arquétipos, gerar impacto real e deixar legado.
Atualmente, colabora com agências e marcas que valorizam conteúdo com presença, estratégia com alma e comunicação como campo de cura. E continua firmando um só compromisso: que toda palavra escrita esteja a serviço de algo maior.






















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