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Essay on Love

Essay on Love

Ophelia, 1900. Friedrich Wilhelm Theodor Heyser.

Love is, perhaps, the most unfathomable of human mysteries. Even more so than God.

And there is a curious contradiction in this: people seem to hold firmer convictions about God than about love. As though it were less vertiginous to name the divine than to confront this untamable affection that runs through existence.

Perhaps because, when it comes to God, someone spoke first. Someone erected definitions, shaped images, built doctrines, and handed the world an interpretation already complete — solid enough to seem true, repeated enough to seem absolute.

Love, however, was never fully subdued. They tried to contain it, discipline it, reduce it to codes, duties, contracts, promises, and guilt. And yet love always escaped. Like water slipping through the hands of the one who tries to possess it.

Perhaps God and love are not opposites. Perhaps they are different names for the same unfathomable reality. Perhaps the confusion was born precisely there: in the attempt to imprison in language that which, by its very nature, overflows.

They made it seem as though the love of God required submission, devotion, worship of a specific figure, a single form, a path without deviation. But perhaps what is divine in love is precisely the opposite: its refusal to be reduced to obedience, its immeasurable vastness, its power to call us not into servitude, but into the truth of our being.

For an infinite love cannot bear fear as its fruit. True love does not build cages. It does not ask the soul to kneel in order to deserve existence. Rather, it makes room. Rather, it gives breath. Rather, it offers the difficult and sacred freedom to be.

And free people almost always unsettle those who wish to control them. Whoever is too free no longer bows so easily; whoever loves from an inner truth no longer accepts whatever language is imposed upon what they must feel, believe, or desire.

Perhaps that is why they tried to associate both God and love with imprisonment, when both may belong, in their essence, to the realm of mystery and freedom.

The bars, after all, were not always in the world. More often than not, they were built within us.


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Brunna Aarão de Melo, Brunna Melo, SEO, AEO, Marketing Digital, Espiritualidade, Propósito, Amor Próprio, Narcisismo, Palavra Cantada.

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Ophelia, 1851. Sir John Everett Millais.

Ensaio sobre o amor

O amor é, talvez, o mais insondável dos mistérios humanos. Mais, até, do que Deus.

E há nisso uma contradição curiosa: as pessoas parecem sustentar convicções mais firmes sobre Deus do que sobre o amor. Como se lhes fosse menos vertiginoso nomear o divino do que encarar esse afeto indomável que atravessa a existência.

Talvez porque, sobre Deus, alguém tenha falado antes. Alguém tenha erguido definições, moldado imagens, construído doutrinas e entregue ao mundo uma interpretação já pronta — sólida o bastante para parecer verdade, repetida o bastante para parecer absoluta.

Sobre o amor, porém, esse domínio jamais se completou. Tentaram cercá-lo, discipliná-lo, reduzi-lo a códigos, deveres, contratos, promessas, culpas. Ainda assim, o amor sempre escapou. Como escapam as águas das mãos de quem tenta possuí-las.

Talvez Deus e amor não sejam contrários. Talvez sejam nomes distintos para uma mesma realidade insondável. Talvez a confusão tenha nascido justamente aí: na tentativa de aprisionar em linguagem aquilo que, por natureza, transborda.

Fizeram parecer que o amor de Deus exigia submissão, devoção, adoração a uma figura precisa, a uma forma única, a um caminho sem desvios. Mas talvez o que haja de divino no amor seja justamente o contrário: sua recusa em se deixar reduzir à obediência, sua imensidão sem cálculo, sua capacidade de nos chamar não à servidão, mas à verdade de sermos.

Porque um amor infinito não pode ter como fruto o medo. Um amor verdadeiro não fabrica jaulas. Não pede que a alma se ajoelhe para merecer existir. Antes, abre espaço. Antes, concede fôlego. Antes, oferece a difícil e sagrada liberdade de ser.

E pessoas livres quase sempre perturbam aqueles que desejam controlar. Quem é livre demais já não se curva com facilidade; quem ama a partir de uma verdade interior já não aceita qualquer linguagem imposta sobre o que deve sentir, crer ou desejar.

Talvez por isso tenham tentado associar Deus e amor à prisão, quando ambos talvez pertençam, em sua essência, ao campo do mistério e da liberdade.

As grades, afinal, nem sempre estiveram no mundo. Muitas vezes, foram erguidas dentro de nós.


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Ismália, 1923. Alphonsus de Guimaraens.

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar,
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar,
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar.

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar,
Estava perto do céu,
Estava longe do mar.

E como um anjo pendeu
As asas para voar,
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar.

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par,
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar.


Nota da autora

Desde a escola, nunca me saiu da memória a aproximação entre Ismália e Ofélia. Lembro de uma aula de português em que colocamos as duas figuras em diálogo, e aquela comparação ficou em mim como ficam certas imagens que o tempo não dissolve. Havia entre elas algo difícil de nomear, mas impossível de ignorar: uma delicadeza trágica, uma espécie de beleza atravessada pela vertigem, como se ambas habitassem um ponto de passagem entre o mundo sensível e alguma região mais funda, mais instável, mais insondável da existência.

Ofélia, personagem de Hamlet, de William Shakespeare, escrito por volta de 1599–1601 e publicado pela primeira vez em 1603, atravessou séculos como uma das figuras mais emblemáticas da mulher associada à loucura, ao amor ferido e à dissolução. Já Ismália, na poesia simbolista de Alphonsus de Guimaraens, surge igualmente suspensa entre dois chamados: o da terra e o do céu, o da matéria e o do infinito, o da permanência e o do desaparecimento. Em ambas, há menos uma narrativa de amor realizada do que a experiência de ser tomada por algo que excede a linguagem comum.

Talvez seja justamente por isso que essas personagens tenham atravessado o imaginário popular com tanta força. Não apenas porque são trágicas, mas porque encarnam uma ideia de amor que a cultura repetiu muitas vezes: a de que amar profundamente é correr o risco de perder-se. Ofélia e Ismália sobreviveram como símbolos porque, de modos diferentes, condensam esse imaginário em que amor, loucura, beleza, dor e transcendência quase sempre aparecem entrelaçados. Como se o amor, em sua forma mais intensa, não fosse apenas encontro, mas também beira, excesso, vertigem.

E talvez seja aqui que essa nota também se encontre com o ensaio sobre o amor presente neste artigo. Porque, ao pensar o amor como um dos maiores mistérios da experiência humana — talvez ainda mais insondável do que as imagens que construímos de Deus —, somos levados a perceber como ele foi tantas vezes confundido com submissão, perda de si, idealização e sofrimento. Ofélia e Ismália atravessaram esse imaginário não apenas como personagens, mas como espelhos de uma tradição que frequentemente vestiu o amor com as roupas da dor e transformou a sensibilidade em abismo.

Não sei se é possível afirmar, com rigor absoluto, uma inspiração direta de Shakespeare sobre Alphonsus de Guimaraens. Mas a aproximação entre Hamlet e Ismália continua sendo, para mim, literariamente fértil justamente porque revela algo que vai além da influência: revela a permanência de uma mesma constelação simbólica. Em ambas, o amor não aparece como posse ou resposta, mas como força excessiva, quase indizível, capaz de tocar ao mesmo tempo o sagrado, a desordem e o desaparecimento.

E talvez seja por isso que ainda nos comovam tanto: porque falam de um amor que, antes de ser explicado, precisa ser atravessado.

Assim como Deus — pelo menos, para mim.


Brunna Melo — Estratégia com alma, palavra com presença

Brunna Melo é estrategista de conteúdo, revisora, copywriter e guardiã de narrativas que curam. Atuou por uma década na educação pública, onde aprendeu, na prática, que toda comunicação começa com escuta. Sua trajetória une técnica e intuição, método e magia, estrutura e sensibilidade.

Formada em Relações Internacionais, mas também com formação técnica em Recursos Humanos e Secretariado, Brunna carrega ainda em seu percurso a pós-graduação em Diplomacia e Políticas Públicas e cursa a licenciatura em Psicopedagogia. Dos 16 aos 26 anos trabalhou na rede pública de Itapevi, onde desenvolveu um olhar atento às subjetividades, à inclusão e à palavra como ferramenta de transformação. Em 2019, realizou intercâmbio em Montreal, no Canadá, onde consolidou sua fluência em francês, inglês e espanhol, ampliando sua visão multicultural e espiritual.

Hoje, Brunna integra SEO técnico, copywriting consciente e comunicação simbólica para marcas e pessoas que desejam crescer com base, respeitando o tempo de quem lê e a verdade de quem escreve. Atua em projetos nacionais e internacionais com foco em posicionamento estratégico, revisão acadêmica, produção de conteúdo e construção de autoridade orgânica com profundidade e coerência.

Mas sua atuação vai além da técnica. Brunna é bruxa de alma antiga, com forte ligação à ancestralidade, aos ciclos e à linguagem como portal. Sua escrita é ritualística, sua presença é intuitiva e seu trabalho parte do princípio de que comunicar é também cuidar — é criar campos de confiança, abrir espaço para o sagrado e firmar digitalmente o que o corpo muitas vezes não sabe nomear.

Mãe, mulher neurodivergente, educadora e artista, Brunna transforma vivências em matéria-prima para narrativas com sentido. Seus textos não são apenas bonitos — são precisos, respeitosos, vivos. Acredita que conteúdo de verdade não serve só para engajar, mas para construir pontes, evocar arquétipos, gerar impacto real e deixar legado.

Atualmente, colabora com agências e marcas que valorizam conteúdo com presença, estratégia com alma e comunicação como campo de cura. E continua firmando um só compromisso: que toda palavra escrita esteja a serviço de algo maior.


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Aqui, divido minha trajetória como estrategista e redatora SEO, mas também como mãe, educadora no ensino infantil e mulher em constante processo de autoconhecimento.

Acredito que escrever é mais do que comunicar: é criar presença, gerar impacto e registrar-se no tempo.

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