Por muito tempo, tentei me encaixar. Seguir o ritmo. Fazer como os outros faziam. Mas, com o tempo, percebi que minha mente não funcionava do mesmo jeito. E que tudo bem. O que eu precisava não era me forçar a caber — era aprender a me sustentar. Viver com neurodivergência me ensinou a respeitar meus ritmos, meus silêncios, minhas intensidades. Mas também me exigiu maturidade emocional pra existir em espaços que nem sempre estão prontos pra acolher o que é diferente.
Essa maturidade não veio de forma mágica. Ela veio da convivência com o cansaço, com a cobrança, com a comparação. Veio da dor de tentar acompanhar rotinas lineares com uma mente que trabalha em espiral. Veio da exaustão de parecer distraída quando, por dentro, eu estava sentindo tudo ao mesmo tempo. E foi ali, no meio desse esforço silencioso, que eu aprendi a me respeitar. A fazer pausas com presença. A comunicar com mais verdade.
No trabalho, precisei aprender a me organizar de um jeito que fizesse sentido pra mim. A criar estratégias flexíveis. A lidar com dias de hiperfoco e dias de ausência total. E, mais importante ainda: precisei aprender a me perdoar por não ser constante como o mundo espera. Mas também aprendi que isso não diminui a potência do que entrego. Pelo contrário — quando respeito minha mente, entrego com mais profundidade, com mais intenção, com mais verdade.
Neste artigo, quero compartilhar como a neurodivergência me ensinou a sustentar a minha própria presença. Como ela moldou a forma como trabalho, como me relaciono e como comunico. E como a maturidade emocional, que foi sendo construída aos poucos, me permite hoje ocupar espaços com mais consciência, sem me violentar — e sem me esconder.
1. Quando entender minha mente virou meu maior ato de cuidado
Por muito tempo, tentei forçar um modelo de produtividade que não funcionava pra mim. Agenda rígida, rotina ininterrupta, constância sem falha. Mas minha mente, com suas intensidades e pausas, não respondia a esse ritmo. Me culpava por isso. Achava que era falta de foco, de disciplina, de força. Até entender: eu era neurodivergente — e precisava aprender a me organizar com base em quem sou, não em quem esperam que eu seja.
Entender minha forma de funcionar foi libertador. Mas também exigiu coragem. Porque o mundo lá fora não desacelera. Ele espera entregas, respostas rápidas, disposição constante. E eu precisava de pausas. De tempo. De mais silêncio antes de falar. De mais contexto antes de decidir. Foi nesse espaço interno, entre a autocobrança e o autoacolhimento, que a maturidade emocional começou a nascer.
Aprender a respeitar meus próprios ciclos foi o começo de uma nova forma de trabalhar. De viver. De criar. E, principalmente, de comunicar com mais honestidade. Porque não adianta entregar muito se, por dentro, estou esgotada. E não há constância que valha mais do que uma presença inteira — mesmo que mais espaçada.
2. Maturidade emocional: escutar antes de reagir, respeitar antes de responder
Com o tempo, fui entendendo que o autoconhecimento que a neurodivergência me exigia também me levava a outro lugar: a maturidade emocional. Aprendi a lidar com a frustração de não acompanhar o ritmo dos outros. A acolher a minha própria lentidão em certos dias. A reconhecer que a oscilação emocional não era fraqueza — era sensibilidade.
Essa maturidade emocional virou base pra tudo o que faço. No trabalho, me permite dizer “não” com responsabilidade. Me permite ajustar prazos, criar estruturas adaptáveis, sustentar relações com mais escuta. Na vida, me permite reconhecer os momentos em que preciso de silêncio. Em que o mundo pede mais de mim do que posso dar. E está tudo bem.
Sustentar minha presença com verdade passou a ser mais importante do que performar produtividade. E isso mudou completamente a forma como me coloco nos espaços. Porque quando a gente começa a se respeitar, começa também a construir uma presença mais sólida — e mais real. Mesmo com pausas. Mesmo com dias difíceis. Mesmo sendo diferente.
3. Criar sistemas que me respeitam foi o que me fez permanecer
Descobrir minha neurodivergência não foi o ponto final — foi o começo de uma nova forma de existir. E no trabalho, isso significou deixar de tentar me encaixar e começar a criar sistemas que respeitassem meu ritmo. Criei rituais, não rotinas. Criei mapas, não trilhos. Criei formas de me organizar que partiam da escuta e não da cobrança. E isso me manteve de pé.
Não foi fácil abrir mão da comparação. Ver colegas produzindo mais, aparecendo mais, entregando mais rápido. Mas também entendi: eu entrego com profundidade. Com presença. Com uma visão sensível que é justamente o que torna minha entrega tão única. Quando parei de medir minha potência pela régua dos outros, comecei a me expandir com verdade.
Hoje, meus sistemas respeitam meus ciclos. Me permitem pausar sem culpa. Reorganizar sem desespero. E criar com leveza — mesmo quando o mundo pede urgência. Porque foi nessa construção própria, adaptável e humana, que encontrei espaço pra permanecer. Não só produzindo, mas sendo quem sou. Inteira, mesmo oscilando.
4. Ser sensível não me faz menos profissional — me faz mais humana
A maturidade emocional me ensinou a parar de brigar com a minha sensibilidade. A parar de ver emoção como obstáculo. Porque a verdade é que foi justamente ela que me tornou mais empática, mais conectada, mais capaz de comunicar com alma. Ser neurodivergente me ensinou que sentir demais não é erro — é outra forma de perceber o mundo. E isso, no trabalho e na vida, é potência.
Não preciso esconder minhas pausas. Nem disfarçar meus silêncios. Nem fingir constância quando meu fluxo é outro. Quando passei a me mostrar com verdade, encontrei clientes e conexões que respeitam esse ritmo. E percebi que quem vibra como a gente vibra… fica. Se conecta. Confia.
Hoje, minha comunicação é reflexo direto dessa jornada. É fluida, mas tem base. É sensível, mas tem firmeza. É estratégica, mas tem alma. Porque a maturidade emocional que construí não me fez deixar de sentir — me fez aprender a sustentar. E essa é, talvez, a habilidade mais valiosa que carrego.
5. Ser inteira é respeitar o que me atravessa — e construir a partir disso
Hoje, não tento mais me encaixar. Nem me moldar. Nem acelerar além do que meu corpo e minha mente conseguem sustentar. Ser neurodivergente me ensinou a construir minha própria estrutura. Ser madura emocionalmente me ensinou a sustentar essa estrutura com paciência, com verdade, com presença.
Não sou constante todos os dias. Nem rápida. Nem sempre linear. Mas sou inteira no que faço. Escuto antes de responder. Pauso antes de me cobrar. Ajusto antes de me julgar. E isso me permite não apenas produzir — mas permanecer. Não apenas comunicar — mas construir vínculos reais.
A maturidade emocional não veio pra me apagar. Veio pra me consolidar. Pra me lembrar que sensibilidade é potência. Que ritmo próprio é riqueza. Que a vulnerabilidade, quando sustentada com verdade, vira força silenciosa. E essa força é o que move tudo que construo hoje — no trabalho e na vida.
💛 Ser neurodivergente é criar caminhos onde não existiam — e caminhar com alma
Você não precisa caber em toda estrutura.
Nem seguir um ritmo que adoece.
Nem apagar sua sensibilidade pra ser profissional.
Ser quem você é, com verdade e com maturidade, já é potência suficiente.
E construir a partir disso é o que torna sua presença única — e necessária.
Porque o que sustenta não é ser igual.
É ser inteiro.
Mesmo diferente.
Sobretudo diferente.
Brunna Melo — Estratégia com alma, palavra com presença
Brunna Melo é estrategista de conteúdo, revisora, copywriter e guardiã de narrativas que curam. Atuou por uma década na educação pública, onde aprendeu, na prática, que toda comunicação começa com escuta. Sua trajetória une técnica e intuição, método e magia, estrutura e sensibilidade.
Formada em Relações Internacionais, mas também com formação técnica em Recursos Humanos e Secretariado, Brunna carrega ainda em seu percurso a pós-graduação em Diplomacia e Políticas Públicas e cursa a licenciatura em Psicopedagogia. Dos 16 aos 26 anos trabalhou na rede pública de Itapevi, onde desenvolveu um olhar atento às subjetividades, à inclusão e à palavra como ferramenta de transformação. Em 2019, realizou intercâmbio em Montreal, no Canadá, onde consolidou sua fluência em francês, inglês e espanhol, ampliando sua visão multicultural e espiritual.
Hoje, Brunna integra SEO técnico, copywriting consciente e comunicação simbólica para marcas e pessoas que desejam crescer com base, respeitando o tempo de quem lê e a verdade de quem escreve. Atua em projetos nacionais e internacionais com foco em posicionamento estratégico, revisão acadêmica, produção de conteúdo e construção de autoridade orgânica com profundidade e coerência.
Mas sua atuação vai além da técnica. Brunna é bruxa de alma antiga, com forte ligação à ancestralidade, aos ciclos e à linguagem como portal. Sua escrita é ritualística, sua presença é intuitiva e seu trabalho parte do princípio de que comunicar é também cuidar — é criar campos de confiança, abrir espaço para o sagrado e firmar digitalmente o que o corpo muitas vezes não sabe nomear.
Mãe, mulher neurodivergente, educadora e artista, Brunna transforma vivências em matéria-prima para narrativas com sentido. Seus textos não são apenas bonitos — são precisos, respeitosos, vivos. Acredita que conteúdo de verdade não serve só para engajar, mas para construir pontes, evocar arquétipos, gerar impacto real e deixar legado.
Atualmente, colabora com agências e marcas que valorizam conteúdo com presença, estratégia com alma e comunicação como campo de cura. E continua firmando um só compromisso: que toda palavra escrita esteja a serviço de algo maior.







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